quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Tudo se resolve


Carinho nas costas, antialérgico e uma caneca de café sem açúcar. 
Colo, chá de camomila e bolo de chocolate com cobertura de brigadeiro.
Empatia, insulina e lasanha da Tia Ju. 
Abraço apertado, xarope e um pedaço de pizza de calabresa. 
Um cheiro, terapia e suco de cupuaçu. 
Bilhetinhos, relaxante muscular e caldo verde.
Dormir junto, quimioterapia e arroz da minha avó.
Ficar de mãos dadas, exercício e uma taça de vinho.
Se importar, antidepressivo e comida japonesa.
Um livro, penicilina e brócolis.
Admiração, vitamina C e batata frita.
Beijos, aspirinas e empadas.


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O blog fez 10 anos. 
Você não reparou.
 Eu também não. 
O Leandro, sim.



sábado, 10 de junho de 2017

Anestesista

-Não sinto nada quando estou com você. -  e ele adorava escutar isso, mas ela pediu o divórcio naquela noite.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Que seja

Tudo bem, pode ser. Que seja!
Mas que seja pouco, viu? Que seja menos. Que seja discretamente. O que será  se alguém perceber?
Que seja fora, mas no trabalho não. Isso é bem ruim pra você. Que seja dentro do quarto. De outro quarto. Seja fora de casa. Que seja, mas não conte para ninguém. O que vão  pensar?
Seja, mas não para a sua avó, seu irmão, seu tio, seu pai. Que seja, mas seja dentro do armário. Seja trancado.
Que seja uma fase. Que seja, mas de cabelo curto não. Que seja, mas rosa não  pode. Seja menos escandaloso. Seja mais delicada. Para quer mesmo querer ser mais?

Ai,que seja!
Eu sou.

domingo, 28 de maio de 2017

Seu afeto e nossas empadas.


Eu era loira, cabeçuda e meu bisavô era mais novo do que consigo me lembrar. Morávamos pertinho e ele me pedia beijo que estalava. Eu era criança chata e achava isso bem enjoado. Eu beijava, porque também era uma criança educada que dava os beijos estalantes no bisa.
Cada um tem uma preferencia na vida.  Tem uns que gostam de dias quentes. Outros de dias frios.
A minha preferencia especial na vida é por empadas. Meu bisa também compartilhava dessa grande sabedoria.

Na época, meu tio era dono de uma fábrica de salgados na cidade, mas meu bisa não gostava que mandassem empadas. Mentira, podia sim, mas apenas se elas não pudessem ser vendidas. Se elas estivessem quebradas, tudo bem.
Eu, particularmente, achava um erro negar empadas.

Então, meu tio fazia várias e várias empadas. Pegava as empadas, dava uma quebradinha proposital e sutil em todas e as enviava ao meu bisavô. Meu bisa me chamava para sua casa e comíamos juntos as empadas "estragadas".

É o maior "efeito em cadeia" de demonstrações de afeto que vivi até hoje.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

(poderia se chamar Allegra D, mas não chama)


Tenho crises de alegria que aparecem em ondas intermináveis.
Existo assim.
Quando ela bate perco o foco, atrapalha minha rotina.
Não me recriminem, se fossem como eu entenderiam exatamente como é ter crises dessa forma. Infeliz alegria.
Maldita alegria.

Os desavisados se assustam sem saber de onde vem essa alegria toda. Alguns perguntam:
-Ana, o que você toma para essa alegria?
Eu respondo, quase cansada:
-Sou assim mesmo, desde que nasci. Alégrica.

Céus, vocês tem que ver a minha cara de alegria quando acordo.


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Dedico esse post aos meus amados companheiros de caminhada: Celestamine. Loratadina.  Allegra D. Fenergan. Polaramine.